domingo, 6 de fevereiro de 2011

Chevrolet Volt



De Detroit, EUA - Adotar um carro elétrico significa optar por outro estilo de vida, deixando de lado escapadas não planejadas fora da cidade. Tudo por conta da limitada autonomia das baterias, algo capaz de causar ansiedade no dono. Um mal-estar que a General Motors mudou com o Volt, o primeiro "elétrico" comercialmente viável da Chevrolet. O termo está entre aspas justamente pela polêmica a respeito da classificação do carro, que pende entre elétrico com autonomia estendida e híbrido (ver box). Jargões à parte, o Volt cumpre a tarefa de unir o melhor dos dois mundos: a praticidade e rapidez de recarga dos carros a combustão com o aproveitamento energético dos carros a eletricidade.


O carro da vez
A autonomia projetada para o Volt pode superar os 600 quilômetros, quase quatro vezes maior do que a dos mais sofisticados modelos elétricos da atualidade. Com a vantagem de ser recarregado em posto de combustíveis e apresentar um consumo médio de 39,5 km/l. Para os que não desejam recorrer ao vil combustível, há a opção de recarregar o carro na rede elétrica – "plug-in" – e rodar até 56 quilômetros assim.

LÓGICA A praticidade também fica patente no projeto, que permite levar quatro adultos e bagagem. A configuração para quatro tem a sua razão: o pacote de baterias de íons de lítio fica instalado no túnel central e embaixo dos bancos dos ocupantes traseiros, onde ainda se espreme o tanque de gasolina. Arranjo inspirado no protótipo do EV-1 quatro lugares, modelo elétrico experimental da igualmente finada Saturn, o que ditou a instalação de um largo console central. O espaço é limitado atrás, principalmente para as cabeças, que ficam rentes ao vidro traseiro em razão da queda do teto.


O acabamento é correto, no mesmo nível de outros modelos americanos da marca, como o cupê Camaro e o sedã Malibu. O desenho remete à exaltação tecnológica presente em aparelhos eletrônicos, como os gadgets da Apple. O console central tem a maioria dos seus comandos sensíveis ao toque, com poucas teclas tradicionais. A alavanca de marchas continua lá, porém praticamente embutida no console na posição de estacionamento. Duas telas de LCD de 7 polegadas exibem informações da propulsão, entre outras, sendo que a do console central é sensível ao toque.




Chevrolet Volt » Fim da ansiedade A marca da gravata aposta na combinação de motores elétricos e um gerador a gasolina para obter autonomia antes inimaginável. Leia as impressões do modelo polêmico



De Detroit, EUA
- Adotar um carro elétrico significa optar por outro estilo de vida, deixando de lado escapadas não planejadas fora da cidade. Tudo por conta da limitada autonomia das baterias, algo capaz de causar ansiedade no dono. Um mal-estar que a General Motors mudou com o Volt, o primeiro "elétrico" comercialmente viável da Chevrolet. O termo está entre aspas justamente pela polêmica a respeito da classificação do carro, que pende entre elétrico com autonomia estendida e híbrido (ver box). Jargões à parte, o Volt cumpre a tarefa de unir o melhor dos dois mundos: a praticidade e rapidez de recarga dos carros a combustão com o aproveitamento energético dos carros a eletricidade.

O carro da vez
A autonomia projetada para o Volt pode superar os 600 quilômetros, quase quatro vezes maior do que a dos mais sofisticados modelos elétricos da atualidade. Com a vantagem de ser recarregado em posto de combustíveis e apresentar um consumo médio de 39,5 km/l. Para os que não desejam recorrer ao vil combustível, há a opção de recarregar o carro na rede elétrica – "plug-in" – e rodar até 56 quilômetros assim.

LÓGICA A praticidade também fica patente no projeto, que permite levar quatro adultos e bagagem. A configuração para quatro tem a sua razão: o pacote de baterias de íons de lítio fica instalado no túnel central e embaixo dos bancos dos ocupantes traseiros, onde ainda se espreme o tanque de gasolina. Arranjo inspirado no protótipo do EV-1 quatro lugares, modelo elétrico experimental da igualmente finada Saturn, o que ditou a instalação de um largo console central. O espaço é limitado atrás, principalmente para as cabeças, que ficam rentes ao vidro traseiro em razão da queda do teto.

O acabamento é correto, no mesmo nível de outros modelos americanos da marca, como o cupê Camaro e o sedã Malibu. O desenho remete à exaltação tecnológica presente em aparelhos eletrônicos, como os gadgets da Apple. O console central tem a maioria dos seus comandos sensíveis ao toque, com poucas teclas tradicionais. A alavanca de marchas continua lá, porém praticamente embutida no console na posição de estacionamento. Duas telas de LCD de 7 polegadas exibem informações da propulsão, entre outras, sendo que a do console central é sensível ao toque.


NA GASOSA Rodando, é possível ter uma pista do que está acontecendo com o sistema de impulsão. No dia do teste, o sol brilhante não afastou o frio, que ficou na casa dos 14°C negativos. Uma situação que exauriria mais rapidamente as baterias de um elétrico e com o Volt não foi diferente, o que logo ligou o gerador a combustão de 85cv. Ainda que gire a uma rotação máxima de 4.500rpm, o motor a gasolina é audível do interior. Enquanto no modo normal o propulsor se anuncia timidamente, com a tecla Sport, o 1.4 ganha voz e luta por atenção, invadindo o habitáculo com um ronco constante, sem indicar subidas de giro. Uma anunciação que acaba por contradizer o espírito pretendido pela GM, que deseja que o Volt pareça um elétrico diante dos olhos (e ouvidos) dos motoristas e se comporte como tal.

A avaliação consistiu de vias planas, com limite de velocidade nunca superior a 55mph, ou 88km/h. Sob essas condições, foi possível sentir o bom desempenho do Volt, que, de acordo com a fábrica, chega aos 100km/h em menos de nove segundos e supera os 160km/h, graças aos 151cv do motor elétrico. As retomadas são feitas com ímpeto e o hatch de 1.715kg não demora a ganhar velocidade. Desempenho escorado na boa estabilidade, auxiliada pelo centro de gravidade quatro centímetros mais baixo por causa da colocação dos 240kg das baterias junto ao piso. O comportamento não tolhe o conforto. Irregularidades são transmitidas abafadamente para a cabine, mérito a ser dividido com o piso bem calçado, ajuste fino da suspensão e rigidez da carroceria.

SALGADO A tecnologia, contudo, tem o seu preço, no caso US$ 41 mil, valor que baixa para US$ 33.500 nos Estados Unidos graças ao desconto do governo federal, que pode ser reunido com incentivos estaduais. Extrapolando, se o diabinho falar mais alto na consciência do interessado, pode-se levar um Cadillac CTS a partir de US$ 35.990. É caro diante do principal concorrente, o elétrico Leaf, que sai por US$ 27.930. Perde-se em autonomia, que fica em dignos 160 quilômetros — no máximo —, mas ganha-se espaço para cinco passageiros. Tem mais: o desconto governamental é válido apenas para os primeiros 200 mil carros produzidos, o que deve demorar de qualquer maneira.

A estação de recarga de 240 volts, capaz de reduzir o tempo de reposição de 10 a 12 horas para apenas quatro horas, não sairá por menos de US$ 1,5 mil. Mesmo assim, o preço não deve impedir a meta de 10 mil unidades do Volt para 2011 e 40 mil no ano seguinte, números pequenos ditados pela necessidade de adaptação da planta de produção. A marca poderia ser atingida apenas com frotistas. As baterias são cobertas por garantia de oito anos e 160 mil quilômetros, mas com vida útil projetada para 10 anos e 240 mil quilômetros. 
Ser ou não ser O projeto do Volt já circula há pelo menos três anos. Mas agora uma polêmica surgiu: afinal, o Volt é elétrico ou híbrido? Depois de colocar as mãos no carro, a imprensa americana levantou a bola, afirmando que em determinado modo o motor a gasolina passaria a locomover o carro. "Acima de 80km/h e com pressão no acelerador, o motor a combustão realmente trabalha não só para recarregar a bateria. Mas a energia é repassada para o segundo motor elétrico, o conversor, este sim ligado às rodas, e não diretamente", defende Carlos França, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Sistemas de Propulsão da GM americana. Algo que pode enquadrar o Volt como híbrido. A GM resume taxativamente: o Volt seria um modelo à parte, sem se ater às classificações restritivas. Nem lá nem cá.

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