sábado, 9 de abril de 2011

16V e bom ou Ruim

Existe um tema muito interessante e que atormenta muitas pessoas que estão em procissão para comprar um carro: Qual tipo de motor escolher, 8 ou 16 válvulas? Muitos pré-conceitos e algumas lendas serão desmitificadas neste artigo e você pode descobrir que esta andando em um ótimo carro, não em um mico de mercado.
Ostentar um logotipo “16v” no carro durante boa parte da década de 90 era coisa para carro de luxo no Brasil, até que o cabeçote multi-válvulas começou a chegar nos veículos mais populares com motor 1000. Era comum modelos como Palio 1.0 16v, Corsa 1.0 16v, Gol 1.0 16v, mas onde foram parar esses carros?

Hoje são poucas as fábricas que apostam suas fichas na tecnologia multi-válvulas no Brasil nos carros que estão na base da pirâmide veícular, os chamados veículos populares, pois alguns problemas “queimaram o filme” deste tipo interessante de motor.
Motor C20XE que equipava o Vectra GSi tinha baixo consumo e 150 cavalos
Motor C20XE que equipava o Vectra GSi tinha baixo consumo e 150 cavalos
O que era símbolo de status passou a ser fonte de dor de cabeça para as fábricas, pois investiram muito dinheiro nesses motores com cabeçotes modernos e o consumidor não deu a resposta que eles esperavam.
Pode parecer mais caro para uma fábrica montar um motor multiválvulas no Brasil, porém a verdade é que somos um dos poucos países que ainda prefere o motor com 2 válvulas por cilindro, gerando mais gastos com desenvolvimento de tecnologia local.
 O motor Chevrolet C16XE 1.6 16v entregava 106cv em 1995 graças as 16 válvulas
Na Europa, onde o cabeçote multiválvulas se espalhou com mais velocidade, o motorista que possui um carro com motor de baixa capacidade cúbica entende que tem um carro com motor fraco e acha mais importante a ecônomia que este tipo de motor faz.
Já no Brasil a história é outra. O Brasileiro médio acha que carro dá poder e status, então arrancar na frente do companheiro de semáforo é um item considerado ao se comprar um carro e essa mania deixa as fábricas com o juizo quente pois tem que inventar combinações inexistentes em todo o mundo.
 O Fiat Tempra foi o pioneiro no Brasil em tecnologia multi-válvulas

Como os motores multiválvulas mais antigos possuem uma letargia em baixas rotações, criou-se a fama de que carro 16v é fraco. A indústria trabalhou em soluções para este problema, mas o estrago já estava feito e os carros 16v passaram a encalhar no estoque.
Hoje temos motores com cabeçotes que minimizam o baixo torque em rotações mais baixas modificando o tempo de abertura das válvuas de diversas formas que serão abordadas em outro artigo, porém você pode reconhecer um carro equipado com este tecnologia quando traz siglas como VVT, VVTi ou VTEC.
Além disso podemos também ter coletores de admissão com geometria variável como no motor 1.8 16v que equipava a Chevrolet Meriva. Com 122 cv e 17,3 mkgf, este motor consegue entregar todo o torque a 3600 rpm, uma rotação muito baixa para este tipo de motor, quebrando o mito por vez de que motor 16v sempre é fraco em baixas rotações.
Motor 1.0 16v Turbo utilizado no Gol foi um dos belos exemplos da tecnologia 16v
Estes motores 16v são projetados para trabalhar em maiores rotações e são muito gostosos de acelerar. Um bom exemplo de motor fraco em baixa rotações mas muito bom de ser acelerado era o motor 1.6 16v do Fiat Palio lançando em 1996 que associado a um escalonamento de cambio muito bom era divertido de ser guiado.
Porém o motorista padrão quer sair do semáforo rápido, passar as marchas e depois diminui-las o mínimo possível e ai que aparecem as falhas dos motores 16v. Como ele tem maior vazão de ar e combustível, o motor acaba tendo uma menor eficiencia volumetrica devido a quantidade maior de combustível a ser queimado.
 Motor Honda equipado com comando variável
Porém o jogo vira quando as rotações sobem. Imagine-se fazendo cooper de manhã cedo na praça do seu condomínio, quando caminha até a praça sua respiração é lenta e controlada, quando chega a pista de cooper e começar a correr, haverá uma maior necessidade de ar para alimentar suas células e nosso corpo sabe como responder a este estímulo.
Em um motor acontece algo parecido. Quando estamos em rotação lenta, a necessidade da mistura ar-combustível a ser queimado é pequena, porém quando o carro é acelerado, esta necessidade aumenta, porém em um motor comum a abertura das válvulas continuará com o mesmo tempo utilizado nas rotações baixas, gerando uma falta de enérgia para completar o trabalho da melhor maneira possível.
 Cabeçote de um motor 4 cilindros e 4 válvulas por câmara de combustão
Um motor 16 válvulas em alta rotação tem ganhos significativos sobre um motor 8 válvulas pois pode “respirar” melhor quando está em alta rotação e por isso ele ele é indicados para quem gosta muito de pegar a estrada, ou quem tem uma toca mais esportiva ao volante.
o motor 8 válvulas responde melhor em baixas rotações, porém a medida que os giros vão subindo, a sensação de “estrangulamento” vai aumentando e o motor perde eficiência volumétrica, gerando menor potência específica.
 Cabeçote 8 válvulas: simplicidade ajuda na manutenção
Existem alguns mitos sobre o motor 16v estragaram a reputação de muitos carros interessantes que tinhamos no mercado. As 4 maiores fábricas do Brasil praticamente retiraram de seus catálogos os motores multiválvulas em seus veículos.
Peguem o caso da GM por exemplo que em 1999 tinha em linha os seguintes carros com motores com multiválvulas: Corsa 1.0 16v, Corsa 1.6 16v, Vectra 2.2 16v e Astra 2.0 16v. Ou seja, praticamente do carro pequeno ao maior existiam versões com motores multiválvulas.
A Volkswagem chegou a lançar o motor 1.0 mais moderno do mundo que equipava o Gol 1.0 turbo com 112 cv de potência, comando de válvula variável (VVT) e diversas tecnologias que hoje em dia só encontramos em carros bem mais caros.
A Ford tinha o ótimo motor Zetec 1.4 no Fiesta lançado em 1996, que devido aos comentários maldosos dos mecânicos virou peça de museu. O Escort com o motor 1.8 16v também sofreu muito com a fama de “motor que não podia ser retíficado”.
A Fiat possuía um motor com 20 válvulas nessa época, que equipava o Marea e possuia 5 cilindros, o Palio 1.0 16v, Palio 1.6 16v e depois o Palio 1.3 16v, sendo que os motores 1.0 e 1.3 já pertenciam a família F.I.R.E.
Hoje praticamente não temos mais veículos com cabeçote multiválvulas nessas fábricas. A Volkswagen não tem mais nenhum carro nacional com motor 16v, assim como a GM que aposentou os motores X20XE e X24XE devido a novas normas de controle ambiental.
A Fiat utiliza em boa parte dos seus carro motores com apenas 2 válvulas por cilindro, com excessão do Linea que tem motores 16v tanto nas versões com motor 1.9 ou 1.4 T-jet e do Punto na versão T-jet
A Ford utiliza motores multiválvulas para o Novo Focus equipado com o motor Duratec 2.0, porém a geração anterior é vendida com o motor Zetec Rocam que possui 2 válvulas por cilindro.

Mitos e Verdades sobre carros 16v

Carro 16v dá mais manutenção do que carro 8v, mito ou verdade?
R: Mito – Todos os carros quando saem de fábrica tem um manual de manutenção. Quando este carro é submetido aos cuidados específicados pelo fabricante, difícilmente ocorrerão maiores problemas.
Se meu motor 16v quebrar a correia dentada, terei um gasto muito maior do que em um motor 8v, mito ou verdade?
R: Verdade – O motor 16v tem o dobro de válvulas, tuchos e balancins. A mão de obra costuma ser mais cara. A troca da correia também costuma ser mais cara pois tem mais esticadores e rolos guia.
Carro 16 tem o motor mais fraco do que motor 8v, mito ou verdade?
R: Mito – Cada motor tem a sua faixa de trabalho. Se o motor 8v parece mais “esperto” em arrancadas, o motor 16v abre vantagem em altas rotações.
Se eu comprar um carro com motor 16v terei problemas para revende-lo, mito ou verdade?
R: Verdade em partes – Se o carro teve uma versão problemática com motor 16v, por exemplo o Gol 1.0 ou Corsa 1.0, pode dor de cabeça revender. Já carros como Honda Civic, Toyota Corolla, Ford Focus entre outros, não costumam ter problemas com válvulas a mais e loja de usados.
Os motores Zetec 16v não são retificaveis, mito ou verdade?
R: Mito – Na verdade os mecânicos e retíficas que não possuíam as ferramentas corretas para trabalhar com o motor, assim como a Ford tinha uma politica de não vender as peças separadamente, somente kits caros e dispendiosos.
O Gol 1.0 16v tem problemas de durabilidade, mito ou verdade?
R: O Gol, assim como outros carros com cabeçotes multi-válvulas por terem mais partes móveis necessitam de uma lubrificação mais eficiente e muitos proprietários foram negligentes com seus carros quando novo. Quando foram passados adiante, quebraram na mão dos novos donos. Outro problema comum era causado por um desalinhamento da polia do comando, geralmente causado pelo próprio mecânico ao substituir a correia sem as ferramentas necessárias.
Se você já teve algum problema com um motor multi-válvulas, nos conte! Podemos ajudar outros leitores a solucionar o seu problema, ou tirar o medo da cabeça de quem esta querendo comprar um carro com motor 16v e está com medo.

5 comentários:

  1. Tenho um tempra 16v em ótimo estado, mas tenho medo que a correia dentada arrebente. Tem como saber quando trocala? Sem saber quantos quilometros a mesma ja rodo.

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    1. É simples amigo, basta vc troga-la por uma nova e marcar a kilometragem no momento da troca, dai por diante vc saberá qual e mmomento da nova troca.

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  2. tenho um siena 98 16v, o mesmo apresentou agora um barulho de valvula batendo me apontaram os tuchos da valvula nao estarem carregando, isso implica em uma lubrificaçao precaria o q resulta no desgaste do tucho e gera o barulho. me pergunto isso procede?

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  3. Eu vim ajudar pois também quero ajudar a quebrar os mitos de que motor 16v é ruim.
    Vejam o Gol GTI 2.0 16v, quando foi lançado era o sonho de consumo, pelo menos era o meu, não sei informar direito mas já vi versões com 145cv. O Corsa GSi 1.6 16v tinha 106cv e por ser mais leve andava do lado do Gol GTI 2.0 16v. Tem o Horda Civic Hatch O 1.6 16v mais potente do mundo com 160cv original de fábrica.
    A VW na europa já tinha o golf 1.8 16v ou 20V não me recordo em 1982.
    O problema todo do carro 16v no brasil é por relaxamento dos donos. Motores modernos precisão de óleo "moderno". O Brasileiro gasta 30, 40, 50 mil em um carro mas não quer gastar 150,00 em uma troca de óleo.
    Eu tive um gol 1.0 16v 2001, não era o power ainda, tinha 69 ou 71cv não lembro, esse motor travou uma vez, por falta de lubrificação, estava usando 20w50, pois era o que usavam...
    Entupiu o pescador de óleo, por excesso de borra, borra essa que só aparece com óleos minerais. Ele foi totalmente desmontado, não era preciso, mas fiz, foi dado um banho termico o motor ficou zera, depois disso só óleo sintetico 5w40.
    Após uma pesquisa descobri que a menos especificação de óleo para esses motores é 15w40 sémi-sitético.
    Se eu tivesse comprado Zero esse carro e fosse mais informado só teria usado óleo sintético, é mais caro é mas é o melhor óleo para motores. Todo carro zero e ou que teve seu motor retificado deveria usar somente oléo sistetico.
    Até um fusca com motor retificado pode usar óleo sitético.
    Só nunca tente usar óleo sistetico em moteres já velhos e que sempre usaram 20w50, ai solta toda sujeira e entope tudo.
    Esse gol 1.0 16v dava 130km em 3º marcha a 7400rpms e nunca deu problemas.
    Volto a dizer o problema não é o 16v e sim os cuidados que devem ser maiores, mas nada de mais.
    Quem tem carro zero ou que fez retifica recentemente use óleo semi-simtético pelo menos, seu carro vai agradecer.

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  4. Meu pai tem uma parati 1.0 16v que comprou com 70.000Km e agora com 180.000Km e 5 anos depois, só deu problemas simples como bomba de combustível queimada e radiador furado, sempre fazendo a manutenção preventiva (troca de óleo e filtro a cada 10.000km, limpeza do radiador), excelente carro de estrada. Eu gostei tanto dos 16v que comprei um também, só que o gol 1.0 16v turbo, carro excelente, tenho ele há 3 meses e até agora só me dá alegrias.

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